Vivemos em uma época em que tudo parece urgente: resolver problemas, tomar decisões, corresponder às expectativas e manter uma aparência de controle e satisfação com a vida.
No meio desse ritmo acelerado, muitas pessoas percebem que, por dentro, algo não acompanha a mesma velocidade e talvez até mesmo, já não faça mais sentido. E é nesse intervalo, entre o que mostramos e o que realmente sentimos, que a psicoterapia encontra seu espaço.
Vale destacar que a psicoterapia não é apenas um lugar para “falar sobre problemas”. Ela é uma experiência de potencial transformação, um processo de reencontro com partes nossas que foram machucas, deixadas pelo caminho e que hoje, fazem falta quando tentamos viver com mais espontaneidade, segurança e liberdade para sermos quem somos.
Um dos aspectos mais importantes desse processo é justamente o que Gabor Maté aponta: muitos dos nossos sofrimentos atuais são expressões de necessidades emocionais não atendidas, especialmente na infância. Como por exemplo, necessidades de conexão, segurança, pertencimento e validação.
Quando essas necessidades ficam “em aberto”, crescemos com medos que não sabemos nomear, mas sentimos na pele e na forma como pensamos e nos comportamos.
Aqui, há um espaço seguro para sermos quem de fato somos e é no encontro entre profissional e paciente que resgatamos e/ou desenvolvemos a sensação de sermos vistos, de alguém nos escutar sem nos apressar, julgar ou exigir desempenho.
E a partir dessa experiência… simples, mas profunda, que acessamos nossas feridas e lugares internos onde não fomos vistos, compreendidos, validados ou acolhidos quando mais precisávamos. A psicoterapia oferece esse ambiente reparador, permitindo que emoções congeladas ganhem nome e encontrem um lugar seguro para existir.
Quando somos acolhidos, nos tornamos mais capazes de acolher a nós mesmos e sentimos a liberdade para ser quem somos.
REFERÊNCIAS:
Maté, G. (2022). Quando o corpo diz não: o custo do estresse oculto. Editora Sextante.
Winnicott, D. W. (1990). O ambiente e os processos de maturação. Artmed.
Bowlby, J. (1989). Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego. Artes Médicas.
Van der Kolk, B. (2016). O corpo guarda as marcas: Cérebro, mente e corpo na cura do trauma. Editora Vestígio.
Rogers, C. (1997). Tornar-se pessoa. Martins Fontes.